FLAVIO BROCHIER

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2/4/12

Histórico de Brochier

Núcleo pioneiro da colonização

Os primeiros colonizadores de Brochier foram os irmãos João Honoré e Augusto Brochier. Eles chegaram ao local por volta de 1832, vindos da França, numa época em que o Vale do Caí ainda era muito pouco povoado. Haviam fazendas de gado para os lados de Capela de Santana e Montenegro e mais alguns poucos moradores estabelecidos nas margens do rio Caí, rio acima, até os atual município de Bom Princípio. Capela de Santana era a vila mais próxima e contava já com uma igreja que servia como sede paroquial para toda a região dos vales do Caí e Sinos.

Também a Costa da Serra, perto de Montenegro, já era ocupada por estâncias de criadores de gado. Ao norte desta localidade, as terras continuavam desocupadas pelo homem branco. Ali a selva ainda era fechada e metia medo pela presença de animais ferozes como a onça. De presença humana, somente a dos índios que, na sua vida nômade, passavam de quando em quando por ali, coletando frutos da mata, caçando e pescando. E foi nesta região que os dois irmãos franceses tiveram a ousadia de se fixar. Compraram uma extensa área de terras e se fixaram no exato local onde hoje se encontra a cidade de Brochier. O que os atraiu foi a fartura de madeira, especialmente a dos pinheiros (araucárias), que eles cortavam e levavam para Porto Alegre, onde era vendida a bom preço. A capital gaúcha crescia bastante nesta época e precisava de boa madeira para as construções. E os Brochier ajudavam a suprir esta necessidade derrubando os pinheiros centenários, cortando a madeira e a levando em balsas pelos arroios Brochier e Maratá até o rio Caí. O arroio Brochier (que foi conhecido inicialmente como arroio dos Franceses) era muito raso, assim como o Maratá, e o transporte da madeira só podia ser feito através deles depois de chuvas que aumentavam o volume das suas águas. O arroio Maratá desemboca no rio Caí nas proximidades da atual cidade de Pareci Novo. Dali a madeira seguia até Porto Alegre sem maior dificuldade, devido ao bom volume de água deste rio durante o ano inteiro.

Para sobreviver no meio desta região selvagem, João Honoré e Augusto trataram de manter uma boa convivência com os índios, praticando um comércio de trocas com eles. Os Brochier tiveram sucesso nesta política, apesar de alguns eventuais desentendimentos. No pior deles, ocorrido em 6 de janeiro de 1847, os índios assaltaram a casa de Augusto Brochier, mataram um escravo e seqüestraram uma escrava chamada Maria Rita, levando-a consigo juntamente com dois filhos pequenos.

Segundo foi apurado pelo pesquisador Germano Henke, Augusto Brochier casou com Maria Saticq, também francesa. Ela era 26 anos mais moça do que Augusto e sobreviveu a ele, morrendo 37 anos depois, na vila de Brochier.

O casal teve doze filhos: João, nascido em 4 de fevereiro de 1861; Carolina (nascida em 18 de abril de 1862, que casou com Guilherme Kochenborger), Januária (nascida em 19 de setembro de 1862 e casada com Carlos Kochenborger), Faustina (nascida em 5 de janeiro de 1865 e casada com Luiz Kochenborger). Até aí observa-se a estreita relação havida entre as famílias Brochier e Kochenborger. Assim como os irmãos Brochier, a família Kochenborger também teve papel destacado na colonização inicial do Vale do Caí. Foi João André Kochenburger que fundou a colônia de Maratá, no ano de 1855, juntamente com os irmãos João Frederico e Pedro Schreiner.

Idalina Brochier (nascida em 9 de fevereiro de 1868, casou-se com Albano Coelho de Souza), Maria (nascida em 16 de outubro de 1860, foi casada com Militão de Mattos), Olímpia, que nasceu em 7 de abril de 1873, casou com Henrique Fetzner. O oitavo filho de Augusto Brochier, nascido em 22 de agosto de 1874, recebeu o mesmo nome do pai. Depois veio Pedro, nascido em 6 de julho de 1877; Itelvina, que nasceu em 18 de fevereiro de 1879 e casou com seu primo João Gabriel Brochier; Paulo, nascido em 4 de abril de 1881. E, por fim, Pedronilha, que nasceu em 26 de junho de 1884.

João Honoré Brochier, irmão de Augusto, nunca se casou. Mas ele teve um filho ilegítimo ao qual reconheceu e cuidou da sua criação. Este filho chamava-se Gabriel Brochier e, depois de crescido, foi viver na localidade de Passo da Amora, onde veio a casar-se com Maria José de Brito. O primeiro filho deste casal chamou-se João Gabriel Brochier e foi este que casou-se com Itelvina Brochier (filha de Augusto Brochier). Os demais filhos de Gabriel Brochier foram: Faustina, Cherubina, Paulo Gabriel, Olímpio Gabriel, Alexandre Gabriel, Gabriel, Ernesto Gabriel e Lourival Gabriel. Descendentes da família Brochier vivem até hoje no município, como pode ser verificado na lista telefônica. Mas muitos outros se espalharam pelo estado e pelo país.

Depois de haverem extraído a melhor madeira que havia nelas, os Brochier deram importante contribuição para o povoamento da região ao vender lotes para colonos alemães, o que aconteceu a partir do ano de 1854 ou 1855. Isso aconteceu no território que hoje é ocupado pelos municípios de Brochier e Maratá que continuava quase totalmente desabitado e que, a partir de então, foi ocupada por famílias vindas das colônias velhas, como São José do Hortêncio, Ivoti e Dois Irmãos. Gente que, via de regra, se expressava apenas no idioma alemão.

Com isto, a própria palavra Brochier, passou a ser pronunciada com sotaque alemão, ao invés do francês original. Pelo certo, o nome do município de Brochier deveria ter a pronúncia francesa, que seria Brochiê.

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criado por fsb3007    22:17 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:

9 Comentários »

  1. Muito interessante isso… Muitos de nós, mesmo sendo Brochienses desde pequenos, não sabemos muito. Aprendi muito sobre a história do meu município com o professor Ildo Fauth e também num projeto de Feira de Ciências que fiz na Escola Erni Oscar Fauth, do município. Sempre é bom aprender a história de nossa comunidade, embora muitos não gostem.

    Comentário por Leonardo — 8 de maio de 2012 @ 16:34

  2. Sou neto de Elvira Brochier, mãe de Trjano Brochier de Vargas

    Comentário por Paulo — 19 de maio de 2012 @ 15:01

  3. Boa noite, Flavio, recentemente estou trabalhando na genealogia de nossa familia, gostaria de saber se tens mais informações. Ficaria muito grato em conhecer ainda mais a estória dos irmãos João Honoré e Agusto e do município de Brochier.
    Desde de já agradeço pelo empenho em divulgar fatos de nossa história.
    Um forte abraço.
    Clayton Brochier

    Comentário por Clayton Brochier — 19 de julho de 2012 @ 1:15

  4. OLÁ, SOU DECENDENTE DE GABRIEL AUGUSTO BROCHIER E PROFESSORA DE HISTÓRIA,VENHO BUSCANDO OS FATOS HISTÓRICOS DA MINHA FAMÍLIA. MUITO BOM O ARTIGO. SE,HOUVER MAIS INFORMAÇÕES, GOSTARIA DE RECEBER. NARA.

    Comentário por nara — 13 de agosto de 2012 @ 10:04

  5. Boa noite sou bisneta de João Augusto , e achei muito boa essa história do meu bisa ,e sua família

    Comentário por Elisabete — 1 de abril de 2013 @ 21:00

  6. Oi, sou descendente da família Saticq e da família Chapuis de Brochier. Estou tendo dificuldades para encontrar a chegada dos Chapuis na cidade, se você souber algo gostaria que pudesse me dizer. Obrigada.

    Comentário por Larissa Chapuis Cerutti — 1 de abril de 2013 @ 23:40

  7. sou decendente de joanes satiq estamos atras da nossa decendencia e ja temos um bom começo da istoria naõ podemos deichar a istoria morrer

    Comentário por loivo jose de souza satiq — 7 de abril de 2013 @ 14:10

  8. OLA SOU NETO DE IDALINA SATIQ CASADA COM JOSE PEDRO DAUDT E TENHO MUITOS INFORMES DOS SATICQ NA EUROPA E NA ARGENTINA POIS ESTIVE NA FRANÇA ARGENTINA E QUERO PARTICIPAR DESTA CONVERSA

    MEU TELEFONE E 13 78507771 MORAMOS EM SANTOS E SOU DE MONTENEGRO RS

    Comentário por gilberto daudt zietlow — 28 de maio de 2013 @ 19:11

  9. ah estive na Maison saticq na frança tenho fotos

    Comentário por gilberto daudt zietlow — 28 de maio de 2013 @ 19:13

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